20.6.09

A QUESTÃO DA JUSTIÇA SOCIAL NA BIBLIA




Sem dúvida alguma a Bíblia é forte no tema da justiça social. No velho testamento ela trata de atitudes para com os menos favorecidos: pobres, viúvas, órfãos e estrangeiros, por ocasião da colheita, os israelitas deviam deixar um pouco para eles ( Dt.24:19-21). Empréstimos com juros são proibidos (Ex.22:25). Todas as pessoas, inclusive escravos e imigrantes têm o direito a descansar no sábado (Ex.23:12). Os escravos não devem ser tratados com rigor (Lv.25:39-43).

Há uma clara relação entre opressão e pobreza: Deus exorta aos hebreus a se lembrarem que um dia eles foram escravos (Dt.26:5-8). O Deus do Êxodo intervem em favor dos pobres e dos oprimidos, que são o seu povo.

A mensagem dos Profetas era bem explícita: "Buscaí a justiça, acabaí com a opressão" (Is.1:17). Os Profetas gritaram contra os ricos e poderosos que oprimiam os pobres, e se indgnaram mais fortemente contra uma religião separada da justiça (Os.8:13); (Am.5:15, 21:25); (Mq.6:6-8); (Is.58:1-11; ...) Deus aceita ou rejeita o culto de Israel á base da sua preocupação exercida para com os pobres. Até mesmo a oração não pode substituir a ajuda aos pobres (Is.1:15-17).

Num Israel relativamente rico como era no Séc.VIII antes de Cristo, a pobreza não era acidental. A prosperidade dos ricos repousava grandemente na exploração e nos maus tratos aos pobres, através de um sistema legal que favorecia os ricos, o controle dos monopólios, a restrição do comércio, os salários injustos e o aumento abusivo dos preços. Muitos pobres perderam até suas terras para os grandes proprietários. Um pouco depois, Ezequiel censura os ricos por acumularem inescrupulosamente propriedades com fins especulativos (Ez.22:29).

Muitos Salmos descrevem Deus julgando o mundo com justiça (Sl. 96:13; 97:6; 98:9). Sua vontade é que a justiça e a paz se beijem (Sl.85:10,11). O Senhor "faz justiça aos oprimidos" (Sl.146:7).

Já no novo testamento o ministério de Jesus trará boas novas aos pobres, anunciando um jubileu(Lc.4:16-19). No ano do jubileu, a cada 50 anos o solo devia ficar sem cultivo, as dívidas deviam ser perdoadas, os escravos libertados e a propriedade devolvida aos proprietários que a tivessem perdido por causa de alguma dívida.

Deus em Cristo, tornou-se pobre, escolhendo os fracos, como diz Paulo, para confundir os poderosos (ICor.1:26-29). O reino de Deus, disse Jesus, é dadoaos pobres, e aos ricos, caso se convertam. Esse reino inaugura um novo relacionamento: com Deus e com os outros. Esse reino coloca por terra nossos valores tradicionais; assim, os primeiros no reino são aqueles sem qualquer posição na sociedade. Os pobres são bem-aventurados não por caua da sua pobreza e miséria, nem por que sejam melhores que os outros, mas porque reconhecem suas necessidades diante de Deus (Mt.5:3-11, 11:5, Lc 6:20).

Para o rico inconverso, o evangelho é uma notícia ruim, e não boa-nova. Assim, Jesus pede ao moço rico, com seu desmedido amor pelo dinheiro e pelo poder, que venda suas propriedades e doe aos pobres, para que tenha "um tesouro no céu". E fala que é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino (Mt.19:16-30). Por isso, não é de estranhar que os pobres, os marginalizados e os excluidos o ouviram com tanta satisfação.

Ele participou de festas com pessoas sem reputação, para contestar, com seu comportamento, as instituições religiosas e seus líderes. Esses líderes ficaram escandalizados com o fato de que este mestre viera de Nazaré, uma cidade obscura e esquecida. O reino de Deus não é algo que nós passivamente esperamos, antes ajudamos a fazer este reino acontecer. Há um mistério aqui: Devemos semear a semente; Deus dá o dom da vida, para que possamos fazer a colheita. Ele nos chama para sermos co-redentores com ele.

Em Caná faltou vinho e Jesus pediu a cooperação dos servos e, ao mesmo tempo, produziu vinho. Hoje, falta emprego, oportunidades, liberdade,lares, esperança e justiça. Se não enchermos as talhas, não haverá milagres também.

As Epístolas estão repletas de admoestações quanto ao cuidado para com os pobres. Por exemplo: Gálatas 2:10; Tiago 2:5-7: 5: 1-6; IJoão 3:17, ITimóteo 6:17-19. A ganância é um pecado cardeal e uma forma de idolatria (ICor.5:10,11; 6:10). A Bíblia não condena a desigualdade de posses em si mesma. Jesus se alegrou com os banquetes na Galiléia e sofreu com a sede no Gólgota. Paulo experimentou tanto a prosperidade quanto a pobreza.

O que a Bíblia condena é a indiferença dos ricos para com os menos favorecidos. Nós devemos abençoar os pobres não de maneira paternalista, mas como Deus nos abençoou, isto é, com justiça gratuita e não com justiça de interesses. A meta da Justiça divina não é a igualdade mas a Paz : "E o efeito da Justiça será a Paz e a operação da Justiça repouso e segurança para sempre" Isaias 32:17.

Um comentário:

  1. Maravilhoso este texto, pr Cappeletti.
    Obrigado por sua visita, apoio e divulgação.
    Também estou fazendo o mesmo.
    Sobre o se projeto clubedolivroevangelico, que ainda está fora do ar, estou a disposição para dar o maior apoio. Eu estou tentando aqui em Blumenau, com alguns amigos, realizar um clube de leitura, onde leríamos alguma obra, nos reuniríamos para discutí-la, e ver o melhor maneira para aplicá-la na prática da igreja da cidade como um todo, desde que fosse coerente e bíblico esta aplicação.
    Só eu sou meio crítico, e tenho uma linha teológica bastante peculiar, o que gera uma insatisfação com muitos títulos tidos como "best sellers". Mas achei sua ideia brilhante, e no que puder ajudar, eis-me aqui...

    Dê uma olhada nesta página: http://www.skoob.com.br/meus_livros/estante/21688/page:1

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