13.8.09

Impunidade e Religiosidade

A impunidade corre solta na nossa sociedade. Infelizmente, essa praga não depende do nível social ou educacional de seus praticantes. Trata-se de um mal generalizado. Ficam impunes desde os pequenos delitos até os mais sérios crimes contra o próprio estado. Apesar desse quadro lamentável, qual é o conselho que as vitimas da injustiça mais ouvem? “Deixa prá lá, não vai dar em nada mesmo”. O pior que este conselho é geralmente seguido, porque no nível de consciência popular, sabe-se que é muito provável que nada aconteça ao infrator. Não se acredita em justiça o suficiente para buscá-la. A impunidade é, antes de tudo, o estímulo para que se pratique o delito. A violência e a corrupção são igualmente estimuladas pela impunidade. O cidadão comum acaba se auto-aprisionando em sua residência enquanto o marginal goza de liberdade. O enriquecimento ilícito e impune acaba sendo o exemplo e o modelo de vida bem sucedida. A impunidade encontra perfeita acolhida no seio da crise brasileira. É raro encontrar um verdadeiro e genuíno interesse de se fazer justiça e cumprir a legislação, principalmente no sentido de se apurar as questões necessárias, aplicando-lhes a merecida punição, veja os casos recentes de malversação do dinheiro público no Senado Federal. Onde se encontra a principal razão desta impunidade?
Ela não surgiu agora, mas tem profundas raízes em nossa formação como nação e faz parte de nossa cultura. Desde os primórdios temos elaborado o famoso “jeitinho brasileiro”, o qual consiste em tornar honesto o que é desonesto, a mentira em verdade, a corrupção em “esperteza”, o ilegal em legal e assim por diante. Um dos importantes aspectos culturais relacionados com a impunidade é a nossa religiosidade. Precisamos ter consciência de que tudo aquilo fizermos que prejudique ao nosso semelhante certamente, haverá punição (a famosa lei da semeadura- plantou / colheu). E a ausência desse conceito na formação religiosa nacional tem provocado esses grandes desastres atuais.
Pois muitos de nossos políticos, homens públicos, ídolos e até lideranças eclesiásticas tem a coragem de dizer: “faça o que eu mando, mas não façam o que eu faço”. Existem diversos aspectos doutrinários da Igreja que, a meu ver, contribuem para a disseminação da idéia de impunidade. Há, por exemplo, diversos, sacramentos ricos de rituais religiosos, mas vazios espiritualmente. Durante a sua prática social, os pecados podem ser confessados ao sacerdote e ele prescreverá a penitência a ser executada. N a realidade, passa-se pela vida impunemente, pois é facílimo barganhar e comercializar a justiça com Deus. Isto é apresentado pela maior igreja cristã do Ocidente. Assim diminu-se terrivelmente a seriedade do pecado, visto que ele pode ser apagado de modo tão corriqueiro e com base no mérito humano. A igreja assumiu o papel de representante de Deus junto aos homens, numa negação clara do texto que nos diz que o único mediador entre Deus e os homens é Cristo. Mesmo não tendo uma justiça forte, ampla, imparcial e de fácil acesso, não podemos esquecer-nos do nosso Supremo Juiz, que é Deus. Queiramos ou não, creiamos ou não, todos um dia teremos de passar diante dele, para sermos julgados por Ele. Todas as falsas doutrinas, seus seguidores terão um dia de se explicar diante de Deus. A Bíblia nos mostra que o nosso Deus é um Deus de justiça. Não existe impunidade diante do Deus Vivo e Verdadeiro. O importante é que não podemos nos enganar ou permitir que nos enganem; Eu mesmo devo conhecer o que a Bíblia diz para mim. Deus é justo, com Ele não existe o jeitinho e um dia lá na eternidade, nós nos encontraremos face a face com aquele que disse:
“Nisto está à diferença entre os filhos de Deus e os filhos do diabo: todo aquele que não pratica a justiça não procede de mim......(tradução livre de I Jo.3:10).

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