Segundo uma pesquisa, mostra que o brasileiro está tratando a religião como
objeto de consumo: "adere a uma igreja segundo necessidades de momento, podendo
mudar de crença de acordo com suas contingências".
Há dois fatores que devem ser
levados em conta aqui.
O primeiro fator é o tipo de oração que fazemos hoje. Cada vez mais
oramos por motivos egoístas e consumistas e, não, por virtudes e vitória sobre
a tentação. Embora o problema venha desde os tempos apostólicos, todos estão
enxergando a generalização e o agravamento da questão. Pregadores de grandes
auditórios e uma boa quantidade de livros estimulam essa prática, enquanto
Tiago afirma categoricamente: “Quando [vocês] pedem, não recebem porque pedem
mal, pedem coisas para usá-las para os seus próprios prazeres” (Tg 4.3). Nunca
se orou tanto como hoje, inclusive no Brasil. Todavia uma boa parte dessas
orações são como as orações dos pagãos a seus deuses. Não pedimos a Deus coisas
que nos fariam luz do mundo e sal da terra, como amor, paciência, espírito de
perdão, sabedoria, humildade, pureza, ousadia, generosidade, mansidão, fé e
poder espiritual. Essas são, na verdade, as nossas maiores necessidades. E,
além do lucro pessoal, essas virtudes ajudam a trazer o reino de Deus a terra.
O segundo fator é a assustadora evidência da paganização do cristianismo e a
busca de “santuários poderosos”. Se num centro espírita consigo me comunicar
com os mortos e se ali obtenho cura para minha enfermidade, nada me impede de
trocar o catolicismo pelo espiritismo. Se em Aparecida consigo uma graça mui
desejada e até hoje negada em outros lugares de peregrinação, daqui para frente
irei sempre a Aparecida.
Se numa igreja carismática
pentecostal me livro de meus pesares, por que não deixar a igreja tradicional?
Se na Igreja Neopentecostal
há mais milagres do que na Igreja Pentecostal, por que não me transferir para
lá?
E se a Igreja Pentecostal
tornar-se mais poderosa que a Igreja Neopentecostal, o que me impede de voltar
para a lá?
A igreja que oferece mais
será a minha igreja — argumentam muitos novos e alguns velhos cristãos hoje em
dia.
É o cristianismo como objeto de consumo !
É o cristianismo como objeto de consumo !

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