1.9.11

Profetas e Sacerdotes, Pinheiros e Eucaliptos, Aposentadoria e Secularização.

A Bíblia diz que “não havendo profecia, o povo se corrompe” (Prov.29.18).

Logo não pode existir profecia se não houver profeta.
Profeta é diferente de sacerdote.
 O sacerdote não precisa de uma chamada, ele não precisa de mensagem, ele não tem visões, ele não ouve a voz de Deus, mas o do povo.
O Profeta  está  interessado e preocupado em obedecer a visão e a voz de Deus.
O sacerdote, a do povo.
Quem sustenta o profeta é Deus, mas quem sustenta o sacerdote é o povo.
A vida do profeta de Deus é normalmente marcada por privações, rejeições e labuta solitária.
A do sacerdote ao contrário, cercado de muito conforto, muitos amigos e  geralmente esta próximo do circulo de liderança.....
É isso que aprendemos quando lemos a história do sacerdote Amazias e do profeta Amós (Am 7.10-15). Amós é incompreendido. Ele é um exemplo de profeta que sofre, porque o ministério que ele deseja realizar, não é o desejado, anelado, consentido e permitido pelos sacerdotes e, até mesmo por muitas das ovelhas, ou pelo mundo que jaz no maligno, e pelo próprio satanás ( Mat.4: 1-11; 16:21-23). Dai o sofrimento e a perseguição, o temor e a confusão, o desamparo e a desesperança de ser profeta. Não foi diferente com Jeremias, João Batista, Paulo e o próprio Senhor Jesus. Mas todos estes obstáculos não tirão o profeta do seu objetivo, seu foco. Já o sacerdote facilmente se desvia das suas  reais funções e o vemos até atrapalhando o ministério do profeta como no caso de  Rei  Saul.
Hoje vemos muitos obreiros comprando, pagando, reformando, construindo, depositando e correndo pra lá e pra cá, fazendo mil e uma coisas, menos “profetizando”. Estes são os sacerdotes. Fazem uma porção de coisas que outros podiam fazer, e não realizam aquilo que só eles deveriam realizar.
Enquanto o numero de sacerdotes se multiplica, o numero de profetas escasseia.
O que está acontecendo?
Existiria ainda um nicho ecológico que torne possível ainda sua existência?
Resta-lhe ainda algum espaço em nosso meio, em nossas estruturas?
Será que alguém lhe concede a palavra ou lhe dá ouvidos?
Merecerá sobreviver?
Tem alguma função, significado, e relevância para nós hoje?
Os profetas fazem lembrar aquelas velhas e seculares árvores em extinção.  Aquelas que ninguém viu plantar, nascer e crescer como os pinheiros. Quando tais árvores são cortadas pelos homens, tudo muda na floresta. É bem verdade que existem sacerdotes para substitui-los á quem eu comparo com eucaliptos, essa raça sem-vergonha que cresce depressa para substituir as velhas árvores, os pinheiros. Para certos gostos (já secularizados) fica até mais bonito; todos enfileirados, em permanente posição de sentido, preparados para o corte, e para o lucro ($$$), preocupação obsessiva de uma igreja e sociedade secularizadas.
Muitas vezes os sacerdotes são apresentados e se apresentam como profetas ( Mat.7:15-23) Se vestem como profetas, mas interiormente são lobos devoradores.
À luz de tudo isso, o cuidado com os sacerdotes nunca é demais.
Da mesma forma que se pode dizer que eucaliptos e pinheiros são tudo árvore, tudo madeira, no final não dá tudo no mesmo?
Não, não dá tudo no mesmo. Há árvores que podem ser substituídas com rapidez e sem problemas, há outras que não. Os profetas não são entidades descartáveis como canetas, copinhos, etc.. De profeta para sacerdotes realizamos um salto de pessoa para função.
No mundo secularizado de hoje a pessoa é definida pela sua função. Sua identidade cedeu lugar a sua função. O que uma pessoa faz é mais importante do que ela é. E vou mais além. É sua produção que determina a seu valor. Ansiosos por sermos reconhecidos, e valorizados, começamos a querer fazer, produzir, esquecidos de que o ministério-pastoral-profético não se mede nos mesmo padrão desta sociedade secularizada onde o utilitarismo, a produção e a quantidade é que são importantes.
Penso que seria possível compreender a diferença entre Profeta e Sacerdote, não como uma luta entre as duas classes de pessoas, uma heroica e outra vulgar. Mas, antes uma solução que nos racha no meio, por que somos todos profetas e sacerdotes, pastores e lobos.  É por isso que muitas vezes temos sonhos e visões, a despeito de existirmos como sacerdotes. É verdade que eucaliptos não se transformarão em pinheiros, a menos que haja em cada eucalipto um pinheiro adormecido.
É preciso que acordemos o profeta adormecido dentro de cada sacerdote. E isso só será possível quando houver Amor (ICor.13). É a falta de Amor que nos leva a viver como sacerdotes ansiosos por nossa aposentadoria. Avidamente contando os anos que nos faltam para deixarmos tudo. Só o Amor a Deus e a seu Povo é que permitirá ficarmos grávidos como profeta. O profeta não pensa em aposentadoria depois de 25,30 ou 35 anos de ministério.
Por que, quem se aposenta de um grande Amor?






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