A Bíblia diz
que “não havendo profecia, o povo se corrompe” (Prov.29.18).
Logo não pode
existir profecia se não houver profeta.
Profeta é
diferente de sacerdote.
O sacerdote não precisa de uma chamada, ele
não precisa de mensagem, ele não tem visões, ele não ouve a voz de Deus, mas o
do povo.
O Profeta está interessado e preocupado em obedecer a visão e
a voz de Deus.
O sacerdote, a
do povo.
Quem sustenta o
profeta é Deus, mas quem sustenta o sacerdote é o povo.
A vida do
profeta de Deus é normalmente marcada por privações, rejeições e labuta
solitária.
A do sacerdote
ao contrário, cercado de muito conforto, muitos amigos e geralmente esta próximo do circulo de
liderança.....
É isso que
aprendemos quando lemos a história do sacerdote Amazias e do profeta Amós (Am
7.10-15). Amós é incompreendido. Ele é um exemplo de profeta que sofre, porque
o ministério que ele deseja realizar, não é o desejado, anelado, consentido e
permitido pelos sacerdotes e, até mesmo por muitas das ovelhas, ou pelo mundo
que jaz no maligno, e pelo próprio satanás ( Mat.4: 1-11; 16:21-23). Dai o
sofrimento e a perseguição, o temor e a confusão, o desamparo e a desesperança
de ser profeta. Não foi diferente com Jeremias, João Batista, Paulo e o próprio
Senhor Jesus. Mas todos estes obstáculos não tirão o profeta do seu objetivo,
seu foco. Já o sacerdote facilmente se desvia das suas reais funções e o vemos até atrapalhando o
ministério do profeta como no caso de Rei Saul.
Hoje vemos
muitos obreiros comprando, pagando, reformando, construindo, depositando e correndo
pra lá e pra cá, fazendo mil e uma coisas, menos “profetizando”. Estes são os
sacerdotes. Fazem uma porção de coisas que outros podiam fazer, e não realizam
aquilo que só eles deveriam realizar.
Enquanto o
numero de sacerdotes se multiplica, o numero de profetas escasseia.
O que está acontecendo?
Existiria ainda
um nicho ecológico que torne possível ainda sua existência?
Resta-lhe ainda
algum espaço em nosso meio, em nossas estruturas?
Será que alguém
lhe concede a palavra ou lhe dá ouvidos?
Merecerá
sobreviver?
Tem alguma
função, significado, e relevância para nós hoje?
Os profetas
fazem lembrar aquelas velhas e seculares árvores em extinção. Aquelas que ninguém viu plantar, nascer e
crescer como os pinheiros. Quando tais árvores são cortadas pelos homens, tudo
muda na floresta. É bem verdade que existem sacerdotes para substitui-los á
quem eu comparo com eucaliptos, essa raça sem-vergonha que cresce depressa para
substituir as velhas árvores, os pinheiros. Para certos gostos (já
secularizados) fica até mais bonito; todos enfileirados, em permanente posição
de sentido, preparados para o corte, e para o lucro ($$$), preocupação
obsessiva de uma igreja e sociedade secularizadas.
Muitas vezes os
sacerdotes são apresentados e se apresentam como profetas ( Mat.7:15-23) Se
vestem como profetas, mas interiormente são lobos devoradores.
À luz de tudo
isso, o cuidado com os sacerdotes nunca é demais.
Da mesma forma
que se pode dizer que eucaliptos e pinheiros são tudo árvore, tudo madeira, no
final não dá tudo no mesmo?
Não, não dá
tudo no mesmo. Há árvores que podem ser substituídas com rapidez e sem
problemas, há outras que não. Os profetas não são entidades descartáveis como
canetas, copinhos, etc.. De profeta para sacerdotes realizamos um salto de
pessoa para função.
No mundo
secularizado de hoje a pessoa é definida pela sua função. Sua identidade cedeu
lugar a sua função. O que uma pessoa faz é mais importante do que ela é. E vou
mais além. É sua produção que determina a seu valor. Ansiosos por sermos reconhecidos,
e valorizados, começamos a querer fazer, produzir, esquecidos de que o
ministério-pastoral-profético não se mede nos mesmo padrão desta sociedade
secularizada onde o utilitarismo, a produção e a quantidade é que são
importantes.
Penso que seria
possível compreender a diferença entre Profeta e Sacerdote, não como uma luta
entre as duas classes de pessoas, uma heroica e outra vulgar. Mas, antes uma
solução que nos racha no meio, por que somos todos profetas e sacerdotes, pastores
e lobos. É por isso que muitas vezes
temos sonhos e visões, a despeito de existirmos como sacerdotes. É verdade que
eucaliptos não se transformarão em pinheiros, a menos que haja em cada eucalipto
um pinheiro adormecido.
É preciso que acordemos
o profeta adormecido dentro de cada sacerdote. E isso só será possível quando
houver Amor (ICor.13). É a falta de Amor que nos leva a viver como sacerdotes
ansiosos por nossa aposentadoria. Avidamente contando os anos que nos faltam
para deixarmos tudo. Só o Amor a Deus e a seu Povo é que permitirá ficarmos
grávidos como profeta. O profeta não pensa em aposentadoria depois de 25,30 ou
35 anos de ministério.
Por que, quem
se aposenta de um grande Amor?


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