10.8.12

Um evangélico na política não pode ser apenas um despachante da Igreja.














No passado a participação política era tratada como algo condenável entre os evangélicos.
A figura do crente lembrava um E.T., estava neste mundo, mas não era do mundo.
Ao lado disso, tínhamos a perspectiva escatológica de que a piora do mundo marcaria a volta de Cristo.
Algo inevitável e até mesmo encarado na base do “quanto pior melhor” principalmente no meio pentecostal.
Assim, o nosso lema até os meados de 1980 era “crente não se envolve em política”.
Hoje a realidade é bem diferente. É comum ouvirmos que “irmão vota em irmão” e nossas televisões, rádios e internet, estão repletos de deputados /pastores ou lideres evangélicos que exercem cargos eletivos.
Ouvir sobre a importância da participação na política não é difícil, o que é questionável são as causas apontadas para essa participação.
Menos do que evocar noções de cidadania e organização da sociedade civil, aquele discurso de que como “cabeça e não cauda” os evangélicos devem ocupar o seu espaço nas estruturas de poder é deplorável.
Mesmo aquela ideia de que a participação política deve refletir na defesa dos interesses dos evangélicos, evitando que leis contrárias a esses interesses sejam colocadas em prática, é mesquinho e pequeno demais pretender eleger alguém apenas para defender interesses restritos ás causas temporais da Igreja.
Um político evangélico tem que ser, sobretudo, um evangélico na política e não apenas um “despachante” da igreja.
Consequentemente nossa ação na política deve se dar, tendo como perspectiva o mandato cultural e o fato de sermos sal e luz, nunca como uma busca de ganhos pessoais ou corporativos.
Mesmo com questionamentos e apontando limitações, analistas indicam essa nossa participação como uma“bem vinda politização” dos evangélicos.
A comunidade evangélica respira de forma intensa questões políticas e já não é mais novidade e nem causa mal-estar a nossa participação nesta área.
Lembro-me da história do Bartimeu ( Mt.10)  ele o cego é como a  política hoje ( medíocre,mesquinha e sem rumo) gritando para nós que vamos passando pelo caminho sem dar ouvidos ao seu clamor  de “tenham compaixão de mim”!
Devemos ter em mente a nossa responsabilidade em participar ativamente da sociedade.
Devemos sair das quatro paredes, por que Deus nos deixou no meio da sociedade e nos chama para sermos sal e luz neste meio.
 E isto se concretiza num envolvimento com as pessoas e estruturas.
Como cristãos temos a obrigação de fazermo-nos presentes, auxiliando projetos que busquem a justiça e denunciando aqueles que se encontram corrompidos. Deus não nos “deixou” por acaso ou sem rumo no meio social.
Tenhamos compromisso com o chamado que nos é feito e sejamos agentes de transformação no meio desta geração corrompida.


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