4.9.12

A Igreja de Mercado, a Nova Sociedade e os Crentes Neoliberais.

Os anos de 1970 marcaram o início da Teologia da Prosperidade no Brasil. 
Alguns segmentos no campo pentecostal, movimentos e organizações interdenominacionais foram veículos de divulgação do conjunto de doutrinas sobre a prosperidade pessoal como sinal de bênção divina.
Cada segmento, movimento, organização formula a seu modo às ênfases relativas à prosperidade e as doutrinas religiosas afins, direcionadas as realizações pessoais ou familiares, no progresso no campo da saúde, prosperidade material e financeira. 
A Teologia da Prosperidade foi bem aceita no Brasil das últimas décadas, devido aos novos rumos sociais, políticos e econômicos nos quais nossa sociedade esta inserida. Desta forma, o ambiente influenciou a ideologia dos indivíduos, assim novos paradigmas de verdade são tidos como incontestáveis.
O discurso baseado na Teologia da Prosperidade representa uma acomodação aos valores e interesses da sociedade contemporânea, alimenta a vontade de consumo como uma busca de satisfação e fortalece o comportamento individualista e liberal de costumes. E dentro deste processo, se revela a natureza humana pecaminosa que se afasta de Deus. 
As práticas políticas e econômicas vistas no Brasil e na América Latina são coerentes com as políticas neoliberais estabelecidas em todo o mundo. A força dominante no mundo atual é o mercado. 
Os países que são capazes de participar no mundo do mercado são aqueles que são aptos a produzir e consumir; caso contrário, estão fora da dinâmica econômica. 
Os Estados têm sido incapazes de mudar as leis de mercado ou influenciar o sistema global. A ideologia neoliberal, disseminada por intermédio da globalização da informação, faz com que os povos acreditem que o mercado ou o consumo é a solução da humanidade. Isso leva as pessoas a não priorizarem os laços de solidariedade, fazendo-as mais individualistas. 
No capitalismo, um dos motivos do êxito da Teologia da Prosperidade se dá porque apresenta um Deus que não incomoda o bom funcionamento do mercado econômico, por uma imersão na sociedade em sua dimensão econômica. 
Com relação às práticas mercadológicas, deve-se salientar que: 
As controvérsias deslanchadas por esse segmento religioso resultam, sobretudo, do importante espaço reservado às práticas mágicas e financeiras, embora, de um lado, suas igrejas não se restrinjam a esses aspectos e, de outro, magia e dinheiro não constituem prerrogativas exclusivas do neopentecostalismo. 
Conclui-se que é uma teologia que se adapta à atual sociedade moderna onde tudo se vende e tudo se compra, tudo se comercializa, mesmo o não racional, instalando-se assim a noção de religião paga. Aplicação de um marketing agressivo e voraz, posição estratégica para quem quer dominar uma situação. 
Mas, como todo fenômeno não nasce em um vazio, até porque para a sua expansão é preciso haver certas condições específicas que permitam o desenvolvimento, isto porque a natureza humana prefere a sociedade de consumo e as tentações do mercado, optando pela religiosidade mágica e utilitária, até como arma de ascensão social. 
A vivência religiosa atual sofreu, nas últimas décadas do século XX, mudanças substanciais. Alguns aspectos do novo perfil devem-se, entre outras vertentes, à multiplicação dos grupos orientais, à afirmação religiosa afro-brasileira, às expressões espiritualistas e mágicas. 
Teólogos e cientistas da religião, ao analisarem especificamente o campo das igrejas e dos movimentos cristãos, indicam que há no crescimento numérico dos grupos uma incidência intensa e direta de vários elementos provenientes da matriz religiosa e cultural brasileira.
Isso faz com que a vivência concreta de fé cristã adquira, por vezes, o que abre possibilidade para surgimento de elementos idolátricos. Neste sentido, destacam-se as “religiões de mercado”.
Todo esse quadro está em sintonia com as transformações sociopolíticas, econômicas e culturais em todo o mundo.
Trata-se de um sistema econômico em roupagem religiosa. 
É uma religião de resultados, uma ciência do sucesso.
A visão do mundo é dualista, estando o cristão no meio da batalha, entre Deus e Satanás.
O destino do ser humano está em suas mãos, basta investir em Deus e esperar dividendos. 

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