14.9.12

Por que os ímpios prosperam, enquanto os de coração puro são afligidos?














Salmos 73.

Este salmo é a busca amarga e desesperadora, relembra o tipo de pergunta que perturbava Jó e Jeremias (Jó 21.1-34; Jr 12.1), e o salmista tem uma confissão e uma descoberta suprema para repartir.

Asafe, o homem que nos dias do rei Davi foi destacado como líder da música do Templo, parece ter sido um homem com certa distinção nos seus dias. Definir que nos dias do rei Davi, não havia problemas de tal natureza, significa interpretar mal a vida humana e a natureza humana.
O salmista trata de uma questão que o aflige: por que os ímpios prosperam, aparentemente sem a ação de Deus? Por que os de coração puro são afligidos? No entanto, numa perspectiva mais ampla e profunda da vida, se depara com o vazio e a futilidade da vida glamorosa dos ímpios.
O salmista inicia reconhecendo que “Deus é bom para com Israel, para com os de coração limpo”. Ele entende e não tem dúvidas da bondade de Deus, mesmo que ao longo do salmo passe por crise pessoal. Uma primeira leitura poderia levar a um problema de retribuição, causa e efeito, onde aqueles que se esforçam para viver uma vida piedosa semeiam a pureza do coração e da vida. Há passagens bíblicas que esclarecem este aspecto, o “coração limpo” não procede do homem, mas de Deus (Sl 51.10; Ez 11.19; 36.26; Rm 2.28-29).



Dos versículos 2 ao 12, dominam “eles” mas dentro da visão do “eu”.

Faltou pouco para o salmista “perder-se no caminho” ou “pouco faltou para que se desviassem os seus passos”. Identifica o que ele chamou de “desvio”, os motivos que despertaram nele a inveja ao ver a “prosperidade dos perversos”. A saúde dos perversos e sua aparente liberdade de aflições e preocupações os levaram à soberba, o que levou o salmista à tentação de querer invejá-los. 
A palavra “shalôm” leva a olhar para a bênção sacerdotal (Nm 6.22-27). Asafe desta forma estava abençoando os perversos, não necessariamente os seus atos, mas as pessoas, e ao mesmo tempo a sua natureza humana desejava essa “shalôm”. Algumas versões bíblicas traduzem “shalôm” por “prosperidade”, outras omitem o termo, mas expressa o todo, outras traduzem por “boa sorte” e “quão bem”.



Dos versículos 13 aos 16, domina o “eu”. 

Há uma seqüência de paralelos antagônicos: enquanto os ímpios “não são afligidos”, os que conservam puro o coração são “afligidos e cada manhã castigados” – versículos 5 e 14; a “soberba e a violência” envolve os ímpios, os que conservam puro o coração “lavam as mãos na inocência” – versículos 6 e 13. 
A partir deste momento começa o “por que disto?”, o “por que daquilo?”, que leva o salmista a declarar: “... inutilmente conservei puro o coração...”. Onde está sua prosperidade? Onde está a sua bênção? 

Como acreditar num Deus que, sendo bom, reserva o castigo para os de coração puro. Mas, o simples fato da formulação do pensamento chocou o salmista ao ponto de adotar uma atitude mental melhor. E ele começa a expressar e declarar, um ato público, fruto de uma decisão consciente – “Se eu pensara em falar tais palavras,...” 
Das certezas, é bom falar, mas das dúvidas não se deve falar, pois há questões que o intelecto humano não pode entender, e que devem ser levados somente a Deus. 



Dois verbos chamam a atenção no versículo 15. 


Primeiramente, o verbo “falar” com o sentido de expressar, declarar. 
O segundo, a palavra “traído” que está no sentido de atraiçoar, ser desleal. 

Na compreensão israelita, o indivíduo não podia ser chamado de filho de Deus (Dt 14.1; Êx 4.22), mas só o povo, como comunidade, eram filhos de Deus. 
Por isso, ao atraiçoar a comunidade, perde o indivíduo a participação neste título. 
Podemos dizer que o apóstolo Pedro faz a mesma relação, povo de propriedade de Deus, quando cita:

"Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; vós, sim, que, antes, não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia". (1 Pedro 2.9-10) 
Asafe reflete e expressa a sua incapacidade de compreender as coisas de Deus.


Da sua impossibilidade de resolver e explicar as situações da vida. 
Ele por si só não compreendia, não tinha forças para entender.



Deus, na segunda pessoa, determina o destino “deles” (versículos 17-22).




A partir deste momento pode-se perceber a reviravolta. 

O salmista entra no Santuário de Deus e percebe o fim deles. O salmista, embora cercado continuadamente pelos injustos, não se dobra, pois segue a Lei de Deus e medita continuadamente. 
A partir desse momento ele passa a discernir os fatos. 
Ao estar na presença de Deus, lhe é mostrado que os injustos caminham para a destruição, a desintegração na morte total. A segurança dos ímpios, baseada no poder e na riqueza, é ilusória. Enquanto as aparências indicam uma trajetória falsamente grandiosa, na realidade estão num lugar escorregadio. As suas vidas se traduzem na expectativa e no medo de perder as suas fortunas e poder. Esse medo se transforma em terror e perecem, pois se identificam com o que possuem. A vida dos ímpios não era real, porque era uma relação quebrada com o Senhor.
A partir do encontro com o Senhor, o salmista foi levado a avaliar a sua visão. A reflexão levou-o a identificar a sua situação, embrutecido, ignorante, era um irracional diante do conhecimento de Deus. 
Agora, em vez de se deter sobre a prosperidade dos ímpios, ele finalmente chega à presença do Senhor e entende que a maior bênção é ter Deus como seu guia e conselheiro íntimo. 
Independente do que possa ocorrer na sua vida, Deus é Deus. Ele está centrado em Deus, transcende céu e terra, e é Deus quem define a dimensão como “para sempre”, “eterna” e “perpétua”.

Conclusão 
“Os que se afastam de ti, eis que perecem; tu destróis todos os que são infiéis para contigo” – responde as questões dos versículos 18-20. “Quanto a mim, bom é estar junto a Deus; no Senhor Deus ponho o meu refúgio, para proclamar todos os seus feitos” – responde as questões dos versículos 24-26. 

Pode-se concluir que a fidelidade do justo consiste na confiança absoluta no SENHOR, Deus da Aliança. 





























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