18.10.12

Eleições Americanas: é entre um mórmon progressista contra um evangélico doidamente progressista.

Pela primeira vez em sua história, os Estados Unidos não têm mais uma maioria protestante, de acordo com um estudo recente. Essa foi uma das principais manchetes da mídia americana nesta semana.
Desde que os Peregrinos chegaram, os EUA eram uma nação predominantemente protestante. Mas o século XXI trouxe mudanças drásticas. A percentagem de adultos protestantes nos EUA atingiu 48 por cento em sua constante queda desde décadas atrás. Enquanto isso, o número de americanos que não têm nenhuma religião está crescendo, especialmente entre os brancos.Essa é a primeira vez que o Fórum Pew sobre Religião & Vida Pública registrou com segurança que o número de protestantes caiu para baixo de 50 por cento.
Essa queda já era há muito tempo esperada e chega numa época em que o Supremo Tribunal dos EUA não tem nenhum juiz protestante, e quando o Partido Republicano, cujos líderes são historicamente protestantes, tem um candidato a presidente e vice-presidente que não são protestantes. Entre os motivos para a mudança está que as grandes denominações protestantes tradicionais, abraçadas a um liberalismo agressivo que tem produzido pastores presbiterianos, luteranos e anglicanos gays, tem afastado membros mais conservadores, que buscam alternativas, inclusive nas igrejas não-denominacionais, que são majoritariamente carismáticas e neopentecostais. As igrejas mais carismáticas são mais conservadoras, mais fechadas à ordenação de pastores gays e mais abertas ao Espírito Santo e seus dons, enquanto as grandes denominações protestantes tradicionais dos EUA são geralmente o exato oposto: são mais progressistas, mais abertas à ordenação de pastores gays e mais fechadas ao Espírito Santo e seus dons. Mas nem todos estão optando pelas igrejas não-denominacionais. Um grande número de membros simplesmente abandona as igrejas protestantes tradicionais e fica sem religião. O número desses americanos que não quer nenhuma religião está agora em 20 por cento.

De acordo com reportagem recente da revista Veja, “43% dos evangélicos no final da adolescência e jovens adultos deixaram a igreja tradicional [presbiteriana, luterana, batista, etc.] para seguirem crenças mais liberais.”
A grande preocupação é que, com o crescimento explosivo do liberalismo nas igrejas protestantes e a perda constante de seus membros, o protestantismo nos EUA está seguindo o caminho da Europa, onde as igrejas da Reforma estão lutando para não morrer. Essa tendência tem implicações políticas, inclusive para o futuro dos EUA.
Os eleitores americanos que se descrevem como não tendo religião votam esmagadoramente em políticos esquerdistas, que já contavam com um apoio considerável dos eleitores protestantes progressistas.
O Pew revelou que os americanos que não têm religião apoiam o aborto e o “casamento” gay numa taxa muito mais elevada do que os protestantes progressistas.
Os evangélicos progressistas sempre foram um importante eleitorado do Partido Democrático, de linha agressivamente esquerdista. Mas agora os americanos sem religião demonstram ser eleitores mais sólidos para esse partido.
O presidente Barack Obama, que é do Partido Democrático, é um evangélico progressista e grande promotor do islamismo.
Os evangélicos conservadores, compostos em grande parte por carismáticos, pentecostais e neopentecostais, preferem o Partido Republicano, que tem metas políticas relativamente menos progressivas, mas está cada vez menos conservador e está sob menos influência evangélica.
Pela primeira vez na história do Partido Republicano, o candidato a presidente, Mitt Romney, é um homem pertencente ao mormonismo, uma seita não cristã.
O eleitor cristão conservador se depara com um dilema cruel na escolha dos candidatos na disputa presidencial de 2012: um mórmon de intenções duvidosas ou um evangélico progressista que não deixa dúvida alguma com relação à sua intenção já muito bem conhecida de impor a agenda gay no mundo inteiro, com a poderosa máquina do governo americano. 
Romney pode ser menos agressivo, mas seu histórico político é também progressista. O primeiro estado americano a legalizar o “casamento” gay foi Massachusetts, sob o governo de Romney.

Assim, a disputa de 2012 é entre um mórmon progressista com um evangélico doidamente progressista.

O avanço conservador moral decisivo hoje na sociedade e política americana vem sendo feito majoritariamente por carismáticos e neopentecostais, mas eles não têm ainda os números e poder social e político que as igrejas protestantes tradicionais tinham até recentemente. Pelo contrário, o conservadorismo carismático enfrenta resistências da esquerda americana, seja de igrejas históricas que adotaram o liberalismo ou da própria mídia pró-aborto e pró-“casamento” gay.
O que poderia salvar os evangélicos dos EUA de um destino catastrófico é uma volta, entre as grandes denominações protestantes, ao exemplo de Anthony Comstock, um evangélico americano do século XIX considerado campeão na luta contra a pornografia, a contracepção e o aborto.

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